Terça-Feira, 27 de Outubro de 2020

Absurdo: Professores apontam problemas ortográficos, plágios e conteúdos errados no material didático oferecido pelo Governo para atender os alunos durante a pandemia.

A Secretaria de Estado de Educação diz que o sistema foi feito em tempo recorde para atender alunos durante a pandemia. Mais de 700 mil não têm acesso a internet e quase metade não tem a Rede Minas em casa.

Por Thais Pimentel e Ricardo Mello, G1 Minas e TV Globo — Belo Horizonte

08/06/2020 16h42  Atualizado há 16 horas

Por causa da pandemia do novo coronavírus, desde o dia 18 de maio, as aulas remotas promovidas pela Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE) são transmitidas pela internet, pela televisão (através da Rede Minas) e por materiais pedagógicos físicos. Dos 1,7 milhão de alunos, 700 mil não têm acesso à internet. Pouco mais de 40% não têm o canal Rede Minas em casa. Quanto ao material físico, ele tem recebido duras críticas por parte de professores e especialistas em educação.

Uma comissão de professores analisou o material e encontrou 42 erros de ortografia e gramática, 122 plágios – lições copiadas da internet sem informar quem são os autores – e 89 conteúdos errados.

O material didático de física, por exemplo, diz que partículas subatômicas de nêutrons têm cargas positivas e negativas. Mas nêutrons não tem carga nenhuma.

Este sistema de educação foi debatido em uma audiência pública nesta segunda-feira (8), na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

A professora da rede estadual, Karina Rezende, cujas críticas ao ensino remoto viralizaram na internet, foi uma das convidadas. Ela listou problemas do regime não-presencial como incompatibilidade entre apostilas impressas e conteúdo virtual, além da dificuldade do aluno em acompanhar o conteúdo sozinho.

Material do Plano de Estudo Titorado do 1º ano do Ensino Médio — Foto: SEE/Divulgação

Material do Plano de Estudo Titorado do 1º ano do Ensino Médio — Foto: SEE/Divulgação

Outra questão é a falta de estrutura enfrentada pelos educadores. Nem todos os professores têm condições de ter internet em casa ou recursos necessários para preparação de aulas remotas. É o que afirma a professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais e coordenadora do Fórum Estadual Permanente de Educação (FEPEMG), Analise de Jesus.

“Os docentes não tem formação para ministrar vídeo-aulas que não se trata de colocar textos na internet para os estudantes lerem e fazerem exercícios. Considero importante destacar que a metodologia do teletrabalho não atende as escolas no campo e as escolas indígenas, nem os sujeitos da EJA, nem às crianças e adolescentes, além de colocar em risco a saúde e a vida dos trabalhadores, entro outros empecilhos à medida”, disse ela.

Orientação aos pais no material pedagógico — Foto: SEE/Divulgação

Orientação aos pais no material pedagógico — Foto: SEE/Divulgação

A professora alerta ainda para a responsabilidade que foi dada ao pais neste sistema. Na apostilo dedicada ao 1º do ano do Ensino Médio, por exemplo, há uma mensagem que diz “é de suma importância que você auxilie seu(s) filho(s) na organização do tempo e no cumprimento das atividades”.

“Famílias não dominam conteúdos escolares e nem deveriam, pois não são profissionais da área. Assim como eu não domino a odontologia, meu dentista não domina Didática da Licenciatura. Assim como eu não domino vendas e o pai do estudante com que eu trabalho domina”, disse Analise.

A professora diz ainda que, até o momento, a SEE não ofereceu nenhuma proposta de formação continuada aos trabalhadores, aos estudantes e familiares.

“E dispositivos e acesso gratuito para que possam realizar trabalho remoto, teletrabalho e EaD, uma vez que as atividades propostas até aqui pelo governo do estado demandam ser mediadas por tecnologias que devem ser democratizadas, com acesso livre à internet de qualidade e ao acesso a outros meios tecnológicos que possibilitam interações criativas na internet, na televisão, no rádio”, completou.

Em nota, a SEE disse que a principal ferramenta do regime de estudo não presencial é o Plano de Estudo Tutorado (PET). “Ele é o instrumento estruturante das atividades remotas e que será considerado para cumprimento da carga horária mínima anual prevista para o aluno, sendo o aplicativo Conexão Escolar e o programa Se Liga na Educação ferramentas complementares aos PETs”, disse o órgão.

“O material foi organizado considerando as matérias de todas as disciplinas previstas em cada etapa de ensino, conforme estabelecido no Currículo Referência de Minas Gerais (CRMG) e na Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Os arquivos são disponibilizados em volumes mensais, respeitando a carga horária mensal prevista para a disciplina em cada etapa da educação básica. Os PETs foram elaborados por professores da rede estadual e das redes municipais, para garantir a importante tarefa do professor que é preparar, de acordo com as habilidades e competências de cada área de conhecimento, os conteúdos chaves e propícios para as atividades remotas”, completou a secretaria.

O órgão disse ainda que, até o momento, cerca de 500 mil alunos da rede estadual que informaram não ter como acessar as apostilas pelos meios virtuais, já receberam as mesmas impressas em casa.

Sobre interação entre estudante e professor, a secretaria disse que “pode ocorrer de diferentes maneiras, definidas pelas próprias unidades escolares ou até mesmo entre os docentes e seus alunos. A partir de junho, o aplicativo Conexão Escola ganhará um espaço de chat que também possibilitará maior interação entre eles. O Conexão Escola já teve cerca de 1 milhão de downloads na Google Play Store e em breve estará disponível para versão iOS e para instalação em computadores”.

A SEE ressaltou ainda que “nenhum aluno será prejudicado por dificuldades de acesso ao conteúdo digital. No retorno às atividades presenciais, a rede aplicará uma avaliação diagnóstica com base nas apostilas que servirá para traçar o plano de revisão de conteúdo individualizado para cada estudante”.

Sobre os erros, a secretaria disse que “desenvolveu em tempo recorde o Plano de Estudo Tutorado (PET), material de apoio, para que seja utilizado pelos alunos juntamente com os livros didáticos a que tiveram acesso no início do ano letivo”.

Ela disse ainda que “vem constantemente realizando atualização e aprimoramentos do conteúdo, sempre atenta e sensível às normas legais, a boa-fé nas ações em prol da educação e às restrições digitais dos alunos”.

A SEE disponibilizou um canal de comunicação pelo e-mail escoladeformacao@educacao.mg.gov.br.

FONTE: https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2020/06/08/professores-apontam-problemas-ortograficos-plagios-e-conteudos-errados-no-material-didatico-oferecido-pelo-governo-de-mg.ghtml

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