Carlos Alberto Decotelli pede demissão e deixa Ministério da Educação

Decotelli entrega carta de demissão e deixa o MEC sem tomar posse

Após a indicação ao Ministério da Educação, Decotelli teve diversos dados do currículo contestados por instituições de ensino. Reitor do ITA deve ser o substituto

MN Maíra NunesRS  Renato Souza

postado em 30/06/2020 16:49 / atualizado em 30/06/2020 17:24

Não durou nem uma semana a passagem de Carlos Alberto Decotelli da Silva como ministro da Educação. Com várias inconsistências no currículo, o economista e professor foi pressionado pelo governo federal a pedir demissão cinco dias após a nomeação dele. O presidente Jair Bolsonaro queria evitar a exoneração pelo receio da repercussão por se tratar do primeiro ministro negro da gestão dele.

Decotelli esteve no Palácio do Planalto, na tarde desta terça-feira (30/6), para entregar a carta de demissão do comando do Ministério da Educação (MEC). O presidente Bolsonaro aceitou a demissão, exatamente no mesmo dia em que havia sido agendada inicialmente a cerimônia de posse dele na pasta. 

Durante a passagem relâmpago de Decotelli como ministro foram reveladas fraudes sobre os títulos descritos no currículo disponibilizado na plataforma Lattes. A situação, no entanto, ficou insustentável após a Fundação Getulio Vargas (FGV) informar que Decotelli não foi pesquisador ou professor efetivo da instituição, mas sim professor colaborador. 
Após a saída de Decotelli, Anderson Ribeiro Correia, reitor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), é o nome mais cotado para ser o próximo a comandar o Ministério da Educação. Com perfil técnico e currículo robusto e checado, ele já teria o aval de militares e da ala ideológica do governo Bolsonaro.

Passagem relâmpago de Decotelli pelo MEC

Nomeação no Diário Oficial – quinta-feira (25/6)
O presidente da República, Jair Bolsonaro, anunciou Carlos Decotelli como ministro da Educação e, no mesmo dia, publicou a nomeação no Diário Oficial da União (DOU). 
Doutorado desmentido – sexta, 26/6
O reitor da Universidade Nacional de Rosário, na Argentina, Franco Bartolacci, afirmou que Decotelli não concluiu o doutorado em administração na instituição e, portanto, não tem o título de doutor.
Esclarecimentos do MEC – sábado, 27/6
O ministério afirmou que a tese de doutorado de Decotelli, na universidade argentina, “após avaliação preliminar pela banca designada, não teve sua defesa autorizada”. Seria necessário, então, alterar a tese e submetê-la novamente à banca. 
Suspeita de plágio – sábado, 27/6
Levantamento apontou suspeita de plágio da dissertação de mestrado de Decotelli, apresentada em 2008, na Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro. A instituição informou que vai apurar o problema.
Pós-doutorado desmentido – segunda-feira, 29/6
pós-doutorado na Universidade Wuppertal, na Alemanha, que Decotelli informou ter realizado no currículo Lattes também foi desmentido pela instituição: “Ele não obteve nenhum título em nossa universidade”, diz nota da instituição.
Posse suspensa – segunda-feira, 29/6

O presidente Jair Bolsonaro optou por adiar a posse de Decotelli, marcada para esta terça-feira (30/6), e exigiu checagem de currículo do ministro.
Carta de demissão – terça-feira, 30/6
Após ser pressionado pelo governo federal, Decotelli cede e entrega carta de demissão no Planalto .

FONTE: https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica/2020/06/30/interna_politica,868205/decotelli-entrega-carta-de-demissao-e-deixa-o-mec-sem-tomar-posse.shtml

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