Quarta-Feira, 03 de Marco de 2021

Saúde em Questão: Quanto tempo depois de tomar a vacina estaremos imunizados ?

G1

A chegada das primeiras doses das vacinas contra a Covid-19 para o público prioritário é o primeiro passo para o fim da pandemia, mas não significa proteção imediata aos vacinados. Segundo especialistas ouvidos pelo G1, a proteção começa, em média, duas semanas após a aplicação da segunda dose no paciente.

A chegada das primeiras doses das vacinas contra a Covid-19 para o público prioritário é o primeiro passo para o fim da pandemia, mas não significa proteção imediata aos vacinados. Segundo especialistas ouvidos pelo G1, a proteção começa, em média, duas semanas após a aplicação da segunda dose no paciente.

Como funciona a resposta imune

Para ficar protegido da doença, o sistema imunológico precisa criar a imunidade protetora, composta por anticorpos neutralizantes, que impedem a entrada do vírus na célula.

“Com duas semanas, já se detecta a proteção, mas a maior quantidade de anticorpos é registrada um mês após o término da vacinação, com variações individuais”, explica Mônica Levi, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

Este tempo de resposta pode variar de pessoa para pessoa de acordo com faixa etária e o sistema imunológico, segundo Levi, e também por aleatoridade, segundo Luiz Vicente Rizzo, diretor superintendente de pesquisa do Hospital Israelita Albert Einstein. “Tem uma parte da nossa resposta imune que é determinada por aleatoriedade (chance)”, diz o médico.

Além dos anticorpos, o nosso corpo também produz resposta imune celular. No caso da Covid-19, essa resposta depende das células T (ou linfócitos T), explica Rizzo. Essas células produzem ação antiviral por meio da produção de citocinas ou da eliminação de células infectadas. Segundo o médico, a resposta celular pode demorar um pouco mais para aparecer do que a criação de anticorpos, mas este tempo não foi medido nos testes clínicos.

A resposta celular é a principal diferença entre as cinco principais vacinas contra a Covid-19, segundo Carlos R. Zárate-Bladés, pesquisador do Laboratório de Imunorregulação da Universidade Federal de Santa Catarina. De acordo com o pesquisador, é possível separá-las em dois grupos: em um deles, a Coronavac, que tem uma resposta celular mais fraca; no outro, as vacinas de Oxford, Pfizer, Moderna e Sputnik, com forte resposta imune celular.

Efeito da primeira dose

Entre as vacinas disponíveis no Brasil, a de Oxford foi a única que mediu a proteção adquirida depois da primeira dose. De acordo com os dados publicados, a eficácia da vacina é bem semelhante para quem tomou apenas uma dose e para tomou as duas: cerca de 70%. O que muda é a duração da proteção.

Os resultados dos testes da vacina, publicados na revista científica “The Lancet”, mostraram que a eficácia foi medida 21 dias depois da aplicação da primeira dose da vacina, o que significa que há “uma proteção de curta duração após a primeira dose”.

Segundo os especialistas, a segunda dose da vacina garante uma maior duração da proteção, embora estudos ainda não tenham descoberto quanto tempo ela pode durar.

Já a Coronavac não mediu eficácia com uma dose nos testes clínicos realizados no Brasil. Por isso, não é possível saber se a vacina é capaz de oferecer proteção, mesmo que de curta duração. Mas o intervalo mínimo entre as doses (14 dias) é praticamente o mesmo tempo que o corpo leva para criar a resposta imune.

Adiar a segunda dose pode ser uma boa estratégia de imunização?

Alguns países analisam esperar o prazo máximo de intervalo para aplicar a segunda dose para garantir que mais pessoas se vacinem. Segundo Zárate-Bladés, está é uma estratégia válida desde que se respeite o prazo máximo.

“Quando recebemos a primeira dose, já começamos a gerar uma resposta. Mas se terminamos em situação em que damos a primeira pra todo mundo, mas falta a segunda, as pessoas vão ficar expostas e isso pode gerar um problema maior.”

O intervalo de aplicação entre as doses das duas vacinas é de 2 a 4 semanas para a Coronavac e de 4 a 12 semanas para a vacina de Oxford.

Caso a segunda dose atrase, uma parte das pessoas pode perder a imunização primária, diz Rizzo. “O sistema imunológico está o tempo inteiro respondendo desafios. Ele tem tendência a ignorar coisas que não são tão importantes. Uma vacina não é a mesma coisa que uma infecção, o vírus está inativado, a gente precisa enganar o sistema para ele pensar que é uma infecção de verdade. Se não der o reforço na hora certa, corre-se o risco de que o sistema imunológico se esqueça da primeira dose”, explica.

No caso do Brasil, o que preocupa é a pouca quantidade de doses da vacina e a falta do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) para a produção de novas doses, diz Levi. “Uma temeridade é fazer isso no momento que o Butantan está sem IFA e a fabricação está parada”, avalia.

Para a imunologista, esta estratégia é mais eficaz para conter a infecção em comunidades restritas. “Se vacinar muita gente dentro de uma comunidade, ou um local com alta transmissibilidade, vai haver um controle mais rápido. Com a população indígena, priorizaram fazer de uma vez porque a vacinação fracionada pode gerar mais risco de disseminação uma vez que tem mais profissionais da saúde indo e voltando”, explica. Para grandes cidades, o impacto é menor uma vez que as doses disponíveis são insuficientes para se criar imunidade de rebanho.

FONTE: https://unicanews.com.br/saude-e-bem-estar/quanto-tempo-depois-de-tomar-a-vacina-estaremos-imunizados/59717

COMPARTILHE ESSE POST

Share on facebook
Share on google
Share on twitter
Share on linkedin
Share on pinterest
Share on whatsapp

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Com muito ❤️ por go7.site
⚙️